GOOGLE: OS PERIGOS ENVOLVENDO PRIVACIDADE NOS SERVIÇOS DO BUSCADOR

Publicado: 13/02/2009 em Filosofia, Sociedade, Tecnologia


Fonte: Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now! de 12.02.2009
São Paulo – Latitude leva conhecimento do Google sobre usuários para
mundo real. Saiba os problemas de dar tantos dados a uma única
empresa.

Ele sabe os assuntos sobre os quais você busca informações, com quem
você tem amizades, as leituras que mais lhe agradam, os arquivos que
estão no seu HD, as rotas que você pega pelas ruas, os acessos do seu
site e quais tipos de propaganda você já demonstrou interesse.

Na semana passada, a capacidade do Google em coletar informações sobre
você passou da coleta digital para adentrar no mundo real, com o
Google Latitude, serviço para celulares que indica a posição
geográfica do usuário só depois de ser instalado, habilitado e
configurado.

É a primeira vez que a maior empresa de internet do mundo, líder
absoluta tanto em buscas como na verba publicitária decorrente delas,
sabe assumidamente onde os usuários cujos gostos e ações online tão
bem conhece estão no mundo real.

Aproveitando a barreira física ultrapassada pelo Google no tipo de
informação que a empresa tem sobre você, o IDG Now! resolveu
destrinchar o perfil hipotético de um usuário convencional de internet
que utiliza todos os serviços possíveis do buscador e, principalmente,
que implicâncias isso pode ter nos dados coletados sobre você.

Carro-chefe das operações do Google, a busca coleta um grande número
de informações do usuário, seja pela sua própria natureza ou por
processos que viabilizam a relação de resultados.

Em seu livro “A Busca”, o pesquisador norte-americano John Battelle
chama os buscadores de “banco de dados das intenções”, já que a
combinação de termos digitados pelo usuário tentam exprimir qual seu
anseio ou sua dúvida no momento.

A confidencialidade dos dados é garantida não apenas pelo Google, mas
também por outros players que mexem com este tipo de informação, como
Yahoo, Microsoft e AOL. Não são apenas os termos procurados, porém,
que são guardados.

Além do Google, empresas como Yahoo e Microsoft armazenam informações
sobre o usuário que fez a busca, como número do IP e cookies para
tornar a navegação mais customizada, que depois podem ser
compartilhadas com parceiros dos buscadores.

Pelo Maps, o Google sabe não apenas endereços que interessam ao
usuário como também os melhores caminhos usados para se chegar lá,
como também, pela sua ferramenta de mashups, possíveis pontos de
interesse, com classificações e opiniões, que podem ajudar a definir
ainda mais seu gosto pessoal

Ao criar uma conta no Reader, o usuário hipotético tem seu gosto por
notícias rastreado seja pelos feeds inscritos como pela análise
daqueles que são ou não lidos na página de estatísticas – há,
inclusive, uma página com análises. No YouTube, um classificação
parecida, mas para vídeos, também vai para as mãos do Google.

No Calendar, sua agenda, com programas e compromissos, está disponível
dentro do navegador. Para quem se arrisca à publicação de conteúdo, o
Analytics dá o panorama da audiência do seu site ou blog, com fontes
de tráfego, palavras-chave mais utilizadas e tempo médio gasto pelos
seus leitores.

Em caso relevante mais para os brasileiros, o Orkut é outro centro de
coleta de informações pessoais, das comunidades que o usuário se filia
ao grupo de amigos com quem ele troca mensagens ou divide gostos
similares ou ao tempo gasto em perfis não adicionados, informação à
qual o Google tem acesso.

Há, também, a coleta de dados no hardware do usuário. O Desktop indexa
todo o conteúdo disponível no disco rígido para integrar a busca de
documentos com a de conteúdos online usando o algoritmo do Google.

Aposta mais recente da empresa no desktop, o Chrome foi alvo de
críticas por parte dos defensores da privacidade pela tecnologia
Omnibox, que mostra sugestões de URLs na barra de endereços do browser
antes mesmo do usuário confirmar sua busca – um vídeo do grupo
Consumer WatchDog explica as preocupações.

Sob o prisma dos críticos, o Google sabe até o que você pensa em
buscar antes mesmo de concretizar os termos escolhidos. Por fim, o
Latitude faz a triangulação entre antenas telefônicas para indicar a
posição geográfica do usuário e compartilhar com amigos.

Essa overdose de dados pessoais coletados é, por acaso, algo que
consumidores deveriam se preocupar apenas com o Google?

Não. Toda empresa de internet destinada a oferecer serviços para
usuários, como e-mail online, leitor de notícias, indicações de
caminhos, ferramentas de aferição de tráfego e redes sociais passa
pelo mesmo impasse da coleta e retenção e dados.

A diferença fundamental no caso do Google é que nenhum rival direto
(Microsoft ou Yahoo) ou outras empresas com serviços potencialmente
rivais (Facebook ou MapQuest para redes sociais e mapas, por exemplo)
conta com tantos serviços que coletam informações tão variadas sobre o
usuário que o buscador.

A constante pressão de grupos de privacidade eletrônica, encabeçados
pela Electronic Frontier Foundation (EFF), fez com que o Google
formulasse uma divisão responsável por responder às críticas de
privacidade mais atuante que os semelhantes no Yahoo e na Microsoft,
com direito a vídeos explicando questões alvo de críticas.

Ainda assim, a sombra do crescente poder adquirido pelo Google pelo
acúmulo de informações pessoais sobre seus usuários fez com que a
companhia saísse do ranking elaborado pelo Ponemon Institute com as
empresas mais confiáveis dos Estados Unidos.

Em 2008, o Google deixou a décima posição e não aparece mais entre as
20 companhias que merecem a confiança dos consumidores. A Microsoft
também não aparece entre os primeiros, mas, segundo o instituto,
melhorou sua posição em relação ao ano anterior. A American Express
manteve a ponta nos dois anos.

As tensas relações entre a riqueza de dados coletados e os potenciais
interesses de governos nas informações parece não ajudar muito na
dissipação do medo entre os consumidores, ainda que o Google sempre
tenha levado às cortes a política alardeada de lutar pela privacidade
dos usuários.

Nos Estados Unidos, o caso mais emblemático foi a vitória do Google na
Justiça no começo de 2006 de um pedido do governo norte-americano dos
buscadores entregarem dados relativos a buscas sobre sexo em
determinado período.

Yahoo, Microsoft e AOL concordaram. O Google levou o caso aos
tribunais e ganhou. Nos casos em que perdeu na Justiça, como foi o
caso do encerramento da batalha legal entre o buscador e o Ministério
Público Federal por criminosos no Orkut, o Google afirma ter cedido em
situações que envolvem crimes.

Os perigos de privacidade envolvendo não apenas o Google, mas qualquer
outro serviço que colhe informações digitais de seus usuários, cai
inevitavelmente em uma discussão mais ampla: o limite entre o
respeitável e o invasivo demais para a publicidade eletrônica.

A quantidade de informações colhidas é um prato cheio para que,
teoricamente, anunciantes tenham uma ideia mais próxima à realidade
dos consumidores que pretendem atingir e, conseqüentemente, façam
campanhas mais focadas.

Problema é que a definição de quanta informação do consumidor ou se
ele permite esse tipo de uso ou não ainda não estão claros o
suficiente para que tantos dados se traduzam em verba publicitária
abundante.

O Facebook aprendeu a lição da maneira mais amarga: na ânsia de
monetizar a rede social, o programa Beacon foi lançado ao mercado em
novembro de 2007 sem deixar claro que usuários ou não da rede social
seriam “monitorados” para alimentar os perfis.

O exagero empregado na coleta de dados forçou o Facebook a tirar a
plataforma do ar para ajustes e ainda rendeu processos por invasão de
privacidade à rede social.

Nos últimos anos, o Google tem apanhado (com razão, em alguns casos)
de grupos de defesa da privacidade em questões como o tempo dos
cookies armazenados nos PCs dos usuários ou os termos originais
exageradamente opressores do Chrome.

No que diz respeito à manutenção de dados que colhe diariamente dos
seus milhões de usuários em suas dezenas de produtos, o buscador tem
transparecido comprometimento com a manutenção do sigilo,
principalmente na relação com governos.

Resta saber o quanto durará o comprometimento. Como o próprio Battelle
resume para o IDG Now! de maneira exageradamente cética: “Nem toda
empresa continua pura para sempre.”

http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2009/02/12/google-os-perigos-que-envolvem-privacidade-entre-os-servicos-do-buscador/paginador/pagina_3

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