Arquivo da categoria ‘Política’


As eleições estão em seu estágio final, os políticos já fizeram quase tudo que podiam fazer para conseguir o meu e/ou o seu voto. Em todo o Brasil histórias e estórias de corrupção, traição, roubo e outras falcatruas que estamos acostumados a ouvir dos e sobre os político.

 

Venho neste último momento de eleição deixar gravado algo que inusitadamente aconteceu em nossa democracia, as eleições no Brasil em 2010 foi marcada por uma figura esquecida, mas que teve um papel singular em sua época nos reinos europeus, o bobo da corte.

 

O bobo da corte “divertia o rei e os áulicos. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e era o cerimoniário das festas. De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte. Com ironia mostrava as duas faces da realidade, revelando as discordâncias íntimas e expondo as ambições do Rei”.

 

Está figura que surge com os slogan “”Vote no Tiririca, pior que tá, não fica” e “Você sabe o que um deputado faz? Vote em mim que eu conto”. Trouxe a figura do bobo da corte para a nossa (pseudo)democracia, pergunto, tem como ficar pior?, você sabe realmente o que um deputado faz?. Infelizmente a maioria responderia não nos dois casos e isso o brasileiro deveria pegar como uma critica, não aos deputados, mas sim a toda população. Afinal fica claro que não estamos satisfeitos com os governantes, mas temos que analisá-los e escolher quem vai ocupar os cargos disponíveis, se não estão fazendo um bom trabalho, vamos melhorar nossos candidatos, para isso precisamos saber o que deve ser melhorado.

 

O tiririca talvez tenha sido o que de melhor ocorreu para a democracia brasileira, o que achei mais interessante foi saber que muitas ações foram movidas contra o candidato mas nenhuma foi levada adiante. Isso pode ser sinal de que não há inverdade do que o mesmo está afirmando ou que fica subtendido em suas perguntas.

 

Sem mais, continuemos analisando e verificando quais as melhores opções para o país, para nosso estado, em fim para nossa sociedade.

 

Hoje (09/05/2010) foi aprovada mais uma rodada de sanções contra o Irã , poucos dias após o país persa ter assinado um acordo de cooperação em conjunto com Brasil e Turquia, o conselho de segurança da ONU aprova um conjunto de restrições ao povo iraniano sem ao menos dar uma chance ao dialogo.

Gostaria de deixar registrado aqui o pronunciamento divulgado pelo Itamaraty na integra da intervenção da embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, explicando o voto  não, eu me sinto representado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil neste pronunciamento.

Leia abaixo o voto brasileiro:

“Sr. Presidente,

O Brasil votou contra a proposta de resolução.

Ao fazer isso, estamos honrando os propósitos que nos inspiraram nos esforços que resultaram na Declaração de Teerã em 17 de maio.

Não vemos as sanções como um instrumento efetivo nesse caso. As sanções irão, provavelmente, levar sofrimento ao povo iraniano e farão o jogo daqueles que, em todos os lados, não querem que o diálogo prevaleça.

Experiências passadas nas Nações Unidas, notadamente no caso so Iraque, mostraram que a espiral de sanções, ameaças e isolamento podem resultar em consequências trágicas.

Nós votamos contra também porque a adoção das sanções, nesse contexto, vai de encontro aos bem-sucedidos esforços do Brasil e  da Turquia em engajar o Irâ numa solução negociada para o seu programa nuclear.

Como o Brasil repetidamente defendeu, a Declaração de Teerã adotada em 17 de maio é uma oportunidade única que não deveria ser desperdiçada. Foi aprovada pelos níveis mais altos da liderança iraniana e endossada pelo Parlamento.

A Declaração de Teerã promoveu o que teria assegurado o pleno exercício do direito do Irâ de um uso pacífico da energia nuclear, enquanto promoveria garantias verificáveis de que o programa nuclear iraniano tem exlusivamente propósitos pacíficos.

Nós estamos firmemente convencidos de que o único caminho possível para alcançar o objetivo geral é assegurar a cooperação iraniana para uma efetiva e orientada ação visando o diálogo e as negociações.

A Declaração de Teerã mostrou que o diálogo e a persuasão podem fazer mais do que ações punitivas.

Seus propósitos e resultados foram construídos na confiança necessária para endereçar uma série de aspectos do programa nuclear iraniano.

Como explicamos ontem, a Declaração Conjunta removeu obstáculos políticos na materialização de uma proposta pela AEIA em dezembro de 2009. Muitos governos e instituições altamente respeitadas reconheceram seu valor como um importante passo para uma discussão mais ampla sobre o programa nuclear iraniano.

O governo brasileiro lamenta profundamente, portanto, que a Declaração Conjunta não tenha recebido nem o reconhecimento político que merecia nem tido o tempo necessário para gerar frutos.

O Brasil não considera natural recorrer a sanções antes que as partes envolvidas possam sentar e conversar sobre a implementação da Declaração. A reação do Grupo de Viena à carta iraniana de 24 de maio, a qual confirmava o comprometimento do Irã em relação ao conteúdo da Declaração, foi recebida há apenas poucas horas. Não foi dado tempo ao Irâ para reagir às opiniões do Grupo de Viena, incluindo a proposta de um encontro técnico para analisar os detalhes.

A adoção de sanções em tais circunstâncias manda uma mensagem errada que poderia ser o início de um engajamento construtivo em Viena.

Também foi objeto de grave preocupação a maneira com a qual os membros permanentes, junto com um país que não é membro do Conselho de Segurança, negociaram entre si durante meses, a portas fechadas.

Sr. Presidente,

O Brasil confere a maior importância ao desarmamento e à não-proliferação e nosso histórico nesse domínio é impecável.

Também afirmamos – e reafirmamos agora – o imperativo de que toda atividade nuclear seja conduzida sob as salvaguardas aplicadas na Agência Internacional de Energia Atômica. As atividades nucleares do Irâ não são exceção.

Nós continuamos a acreditar que a Declaração de Teerã é uma política relevante que deve ser perseguida. Nós esperamos que todas as partes envolvidas enxerguem a sabedria a longo prazo em fazê-lo.

Em nossa visão, a adoção de novas sanções pelo Conselho de Segurança vai atrasar ao invés de acelerar ou assegurar o progresso na abordagem da questão.

Nós não devemos perder a oportunidade de começarmos um processo que pode levar a uma solução pacífica e negociada a essa questão.

As preocupações em relação ao programa nuclear iraniano levantadas hoje não serão resolvidas até que o diálogo comece.

Em adotando essas sanções, esse Conselho opta atualmente por um dos dois caminhos que deveriam ter sido percorridos em paralelo – em nossa opinião, o errado.

Muito obrigado”.

Confesso que se alguém me perguntasse em quem eu votaria para presidente se as eleições fossem hoje, ficaria meio desnorteado, e talvez, por fim, responderia que fico com os indecisos. Mas tenho que admitir que os(as) atuais candidados(as) a presidência da república estão mais próximos do povo que outrora tiveram.

O interessante é que não é apenas sites institucionais, eles (os candidados(as)) estão nas redes sociais, nos blogs, nos microblogs, formando suas próprias comunidades, dialogando com os jovens, com os internautas, com o blogueiros, o que tem sido muito importante penso eu, afinal estamos conectados.

Mas ainda falta algo, acompanhei debate com os presidenciáveis na cni, com apenas 3 três dos  concorrentes, achei produtivo, porém achei ainda mais produtivo o encontra que a candidata Marina Silva (Partido Verde) fez com alguns representantes desta gigantesca comunidade online, personalidades blogueiras, empreendedoras, representantes jovens de outras comunidades.

Dos ditos principais candidatos, José Serra (Partido da Social Democracia Brasileira) talvez seja o que mais se apossou do twitter, tuita muitas vezes por dia, as vezes com suas opiniões pessoas e detalhes de sua vida como “vou dormir” etc. Acho importante que se tenha esta intimidade com a tecnologia afinal não são da geração digital, mas não vamos exagerar.

A ex ministra Dilma Russef (Partido dos Trabalhadores) tem quase 80 mil seguidores e muito contato com pessoal que trabalha no mundo digital, uma assessoria especializada (Marcelo Branco), mas o seu twitter ainda está meio que agenda e algumas informações, o que não deixa de ser importante.

Estas eleições serão muito interessantes para vermos o que a internet pode ou não fazer no processo democrático, mas como esta influência será utilizada e se será bem utilizada só saberemos após as eleições, mas uma coisa eu digo, a internet brasileira é muito diferente da americana então usar as táticas do Obama na nossa web pode ser um problema.

Como todos, não poderei estar indeciso em outubro, então vamos acompanhá-los e deixar que nos acompanhe, afinal a democracia nos da o direito/dever de participar da governabilidade da nossa sociedade, então faça a sua parte, afinal o próximo presidente será o presidente do Brasil do futuro.

Quer uma dica para se manter antenado nesta disputa ? acompanhe o debate que será promovido pelo IG, MSN, TERRA e YAHOO!, simultaneamente via web é claro. Mais detalhes depois em outro post e no link http://www.debateonline2010.com.br/

Thiago Santos de Amorim

votenaweb

votenaweb

Chegam as eleição, votamos, e depois? Esperamos a próxima eleição para votar outra vez, e na maioria das vezes, não nos preocupamos no que o nosso voto fez ou deixou de fazer pelo nosso bairro, cidade, estado ou país.

Fiquei entusiasmado quando soube da existência do sitio, http://www.votenaweb.com.br/ , ele nos trás o que cada parlamentar esta fazendo por nós nas casas legislativas. Desta forma podemos acompanhar de perto, o que os parlamentares em quem votamos, estão fazendo, com isso podemos avaliar o trabalho de cada um.

O mais importante é que podemos votar nos projetos, comentá-los e acompanhá-los de perto para ver os rumos do mesmo. É uma forma menos trabalhosa de acompanhar o que o nosso voto está fazendo, ou melhor, o que os políticos nos quais confiamos estão defendendo usando nosso voto.

É um ponto a mais, para uma democracia em que o poder emana do povo para uns poucos. Quem sabe nos ajude a mudá-la para uma democracia do povo, para e pelo povo.

Participe, faça sua inscrição, vote, discuta, fiscalize : http://www.votenaweb.com.br/

Assista uma apresentação do projeto: http://vimeo.com/9979553

Voto , além das urnas…

votando

votando



MARIA JOSÉ COTRIM
JORNALISTA

O Afro Reggae está de luto! Um inquérito militar foi aberto para investigar a conduta dos militares na omissão de socorro ao coordenador do grupo Afro Reggae, Evandro João da Silva, 42, que foi assassinado no Centro do Rio, no último domingo (18). Quando comento entre colegas jornalistas a necessidade da igualdade racial em nosso país, sempre dizem que são os próprios negros que são os preconceituosos e que querem uma “supremacia de raças”.

Leia o texto na integra: negroemdebate.blogspot.com

Cartilha de cotas.

cotas

A favor e contra as cotas, infelizmente as pessoas se posicionam facilmente em um dos dois lados, sem conhecerem o que a historia nos reservou, e o que realmente os brasileiros precisam para que o Brasil não seja eternamente o pais do amanha.

Para esclarecer o porquê sim das cotas, o Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas criou uma cartilha intitulada  “Cotas porque sim?” , no intuito de esclarecer o porque das discussões sobre cotas para negros em nossa sociedade.

É bem verdade que ao iniciar uma discussão sobre cotas, costuma-se cair no senso comum, no qual se afirma que todos somos iguais, e por isso devemos ser tratados igualmente como consta na constituição. Porém sabe-se que somos diferentes, e que para haver uma igualdade real necessário é, que sejam todos os diferentes tratados de forma diferencial na medida em que se diferenciam.

Atualmente sabe se que as mulheres precisam ter seus direitos resguardados, e políticas em favor das mesmas foram criadas para fazer valer tais direitos. As crianças e adolescentes que são muito vulneráveis também estão sendo tratados de forma diferenciada para que não sejam mal tratados.  Os idosos receberam em seu estatuto “privilégios” justos e merecidos por servirem ao país.

Sendo assim, acreditamos que tratar uma parcela da população, que desde o descobrimento do país tem sido explorada, escravizada e depois marginalizada, com políticas públicas para provimento da igualdade, não vem a ser um problema,  muito pelo contrário. Surge agora no ulular de muitos dos negros que perderam a vida por dias melhores em terras tupiniquins, uma pequena luz que visa o reparo deste trágico momento da história chamado escravidão.

Segue alguns trechos retirados da cartilha do Ibasa que merecem reflexão. Para baixar a cartilha completa clique aqui.

“A questão é que enquanto não for reconhecido o esforço de cada grupo que compõe nossa população – o quanto cada um deles contribuiu, e contribui, para a formação da sociedade brasileira –, seremos sempre o país do amanhã. Enquanto não houver igualdade de oportunidades para toda a população, independentemente de cor, raça, gênero, orientação sexual, origem, renda etc., a concretização do Brasil como nação verdadeiramente democrática estará cada vez mais distante”

“A discriminação racial no Brasil é mesmo bastante particular e precisa ser vista com atenção. Não tivemos apartheid, mas o racismo persiste na nossa sociedade, muitas vezes sem se declarar, aparecendo mais em atitudes e menos freqüentemente na fala.”

“A omissão também é uma forma de perpetuar o preconceito, seja no que diz respeito a qualquer situação de discriminação que ocorra em sala de aula, seja por não discutir os pro­blemas raciais na sociedade brasileira ou, ainda, por não trabalhar em classe a rica contribuição histórica, cultural e intelectual dessa população.”

Thiago Santos de Amorim

Em épocas que a venda de computadores ultrapassa a de TVs, na qual esta última está para entrar no mundo digital, e que o acesso a rede mundial de computadores pelos brasileiros tem sido cada vez mais facilitado, como o que ocorre com o advento das lan houses. O congresso nacional com o apoio das velhas mídias recebe uma proposta de controle da internet.

No livro A Cauda longa (The Long Tail) de Chris Anderson, nos é demonstrado que com a evolução tecnológica, se criou a possibilidade de produzir e reproduzir músicas, filmes e livros infinitamente, a um preço próximo de zero. Toda uma cadeia intermediária entre compradores e produtores nesse novo contexto deixa de existir, essa cadeia formada por estúdios, editoras, rádios e televisões movimenta bilhões de reais, e ainda não descobriu outra maneira de continuar ganhado seu valor exorbitante. Por isso tentam impedir os avanços tecnológicos ao invés de mudar sua forma de agir.

Enquanto o projeto apelidado de AI 5 Digital ou lei Azeredo, continua se arrastando nas mãos das vossas exigências, os senhores deputados e senadores da republica , a comunidade nacional por meio do CGI.br (Comitê Gestor da Internet), entidade que possui representação pluralista, formado por governo, associações empresariais, entidades civis e associações acadêmicas, estabeleceu em abril de 2009, princípios para governança e o uso da internet no Brasil.

São eles:

1. Liberdade, Privacidade e direitos humanos
2. Governança democrática e colaborativa
3. Universalidade
4. Diversidade
5. Inovação
6. Neutralidade da rede
7. Inimputabilidade da rede
8. Funcionalidade, segurança e estabilidade
9. Padronização e interoperabilidade
10. Ambiente legal e regulatório

Os princípios defendidos pelo CGI vêm de encontro aos princípios defendidos por ativista que lutam para que a internet continue livre, e que seja uma plataforma colaborativa sem empecilhos aos que querem contribuir com a sociedade, e que sejam punidos apenas os que atentarem contra os direitos dos outros, não o meio.

Thiago Santos de Amorim
Referência Bibliográfica:
Revista AREDE, nº49 junho 2009.

BRIC – BRASIL, RUSSIA INDIA E CHINA.

BRIC esse foi o termo utilizado em 2003 pelo presidente do banco mundial para designar as economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China. Investidores principalmente dos Estados Unidos e paises da Europa têm perspectiva de crescimento no mercado da informática.

A Índia é uma das maiores exportadoras de softwares e de terceirização do mundo, ao contrário do Brasil, que esporta apenas R$ 300 mil reais em programas para computadores. No entanto, dentre os quatro paises citados, o Brasil é o mais democratizado, o menos “traumatizado” por questões políticas, culturais e/ou religiosas; Sua localização o coloca em vantagem, por estar na América em um ponto próximo ao continente africano, dentro desse contexto possui grande perspectiva de crescimento por meio de investimentos externos.

Em se tratando de informática a Rússia talvez seja o que possui menores avanços econômicos, porém tem obtido grandes desenvolvimentos na área de engenharia. Alguns fatores tais como: população pouco dinâmica e baixa expectativa de vida masculina devido ao alcoolismo e tabagismo, faz refletir uma cultura pessimista que proporcionam um menor índice de investimentos estrangeiros.

A maior tacha de crescimento de investimentos externos provém da China que a alta densidade demográfica e mão de obra barata. O mundo atualmente volta seus olhos para esses paises principalmente o Japão melhor investidor.
Quanto a taxa de crescimento do PIB segundo media de 2001 a 2003 a China superara os Estados Unidos podendo se transformar na próxima primeira potência mundial.

A china tem um modelo econômico renano próprio da Alemanha e do Japão em que o estado e muito intervencionista na economia, dirigindo as atividades econômicas e investindo na infra-estrutura e muitas vezes decidindo quais as companhias que vão receber fundos públicos. Atrelado a isso está a baixa qualidade do sistema bancário do pais. Mesmo assim a China tem crescido nos últimos 20 anos uma taxa da ordem de 2 dígitos como pode ser observado no gráfico abaixo:

Segundo economistas do banco mundial, o PIB dos BRIC´s ultrapassara em 2039 o do G6 o grupo dos 6 países mais ricos do mundo (França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos), caso isso ocorra apenas os Estados Unidos e o Japão do atual G6 estará entre as 6 maiores economias do mundo.

Thiago Amorim, Thiago Ayslan e Wevertton

Bibliografia:
http://www.deutschebank.be/
http://www.deg.ist.utl.pt/
http://www.gustavogrisa.com.br/info_artigos.php?codArtigo=87&categoria=1
http//www.istoe.com.br

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia alusiva à visita ao 10° Fórum Internacional Software Livre Porto Alegre-RS, 26 de junho de 2009.

“Bem, na verdade, a Dilma falou pelo governo brasileiro. Não era necessário eu dizer absolutamente nada aqui, hoje, porque eu acho que passar naquele “corredor polonês” que eu passei para chegar aqui, já valeu pelo menos uns quatro discursos. Mas, eu queria cumprimentar os meus companheiros de Ministério que estão aqui conosco.

Tribos

Queria cumprimentar os deputados federais, os nossos senadores, o nosso ex-governador Olívio Dutra, o prefeito Fogaça. Queria cumprimentar uma convidada especial que chegou atrasada aqui, que é a nossa companheira Lourdes Munhoz, da Espanha, deputada por Barcelona e assessora do presidente Zapatero na área de Software Livre. Eu nem vi a cara dela, porque ela não se apresentou aqui. Fica em pé.

Quero cumprimentar o nosso querido reitor Joaquim Clutê. Quero cumprimentar o nosso querido companheiro Marcelo Branco, coordenador geral do 10° Fórum Internacional de Software Livre. Quero cumprimentar os companheiros das instituições públicas brasileiras que estão aqui. Estou vendo na minha frente o Banco do Brasil e o Serpro. Quero cumprimentar os convidados estrangeiros. Quero cumprimentar aquela criancinha que está no colo ali, que deve estar pensando: o que que nós estamos fazendo aqui e porque os seus pais trouxeram ela para cá? Um dia, ela vai saber.

E eu quero cumprimentar uma pessoa especial que está aqui, que é o Sérgio Amadeu, porque agora que o prato está feito… Quero cumprimentar o companheiro Tigre também, o nosso presidente da Federação da Indústria do Rio Grande do Sul.

Agora que o prato está feito, é muito fácil a gente comer. Mas fazer esse prato não foi brincadeira. Eu lembro da primeira reunião que nós fizemos, na Granja do Torto, em que eu entendia absolutamente nada da linguagem que esse pessoal decidia, e houve uma tensão imensa entre aqueles que defendiam a adoção do Brasil do software livre e aqueles que achavam que nós deveríamos fazer a mesmice de sempre, ficar do mesmo jeito, comprando, pagando a inteligência dos outros e, graças a Deus, prevaleceu no nosso país a questão e a decisão do software livre. Nós tínhamos que escolher: ou nós íamos para a cozinha preparar o prato que nós queríamos comer, com os temperos que nós queríamos colocar e dar um gosto brasileiro na comida, ou nós iríamos comer aquilo que a Microsoft queria vender para a gente. Prevaleceu, simplesmente, a ideia da liberdade.

Eu queria contar aqui uma coisa, porque prevaleceu, na minha cabeça, a questão do software livre. Vocês sabem que eu nunca fui comunista. Quando me perguntavam se eu era comunista, eu falava que eu era torneiro mecânico. Mas eu tenho extraordinários companheiros que participaram da luta armada neste país, companheiros que pertenceram aos mais diferentes partidos e correntes ideológicas do mundo, todos extraordinários companheiros. Eu tinha um irmão mais velho que, a vida inteira tentou me levar para o Partidão, e o meu irmão trazia para mim, acabados, todos os documentos que tinham sido escritos e produzidos 200 anos atrás ou 150. O meu irmão queria que eu decorasse O Manifesto, queria que eu lesse e relesse O Capital, queria que eu discutisse tudo isso, e eu dizia para o meu irmão: Frei Chico, tudo isso foi produzido tanto tempo atrás. Não dá para a gente começar a produzir alguma coisa nova a partir de agora?

Quando caiu o Muro de Berlim, eu fiquei feliz porque ia permitir que a juventude pudesse repensar e escrever coisas novas, construir novas teorias, porque parecia que tudo estava construído e que nada mais poderia ser diferente.

O software livre é um pouco isso, ou seja, é dar às pessoas a oportunidade de fazer coisas novas, de criar coisas novas, de valorizar a individualidade das pessoas. Porque não tem nada que garanta mais a liberdade do que você garantir a liberdade individual, que as pessoas permitam aflorar a sua criatividade, a sua inteligência, sobretudo em um país novo como o Brasil, em que a criatividade do povo possivelmente seja, sem nenhum menosprezo a outros povos, o povo de maior criatividade no século XXI.

Pois bem, eu penso que o nosso governo já fez muito, mas o nosso governo poderia ter feito mais. Nós somos um governo muito democrático. Não acredito que tenha no mundo um governo que exercite a democracia como o nosso governo exercita. Não acredito. Não acredito que tenha no mundo alguém que debata tanto, que discuta tanto como o nosso governo. E isso, as vezes, complica, não é Tarso?

Às vezes nós temos que ouvir uma vez, duas vezes, três vezes, porque como eu sou analfabeto nesta questão da Internet – meus filhos são todos doutores perto de mim. Porque a Internet tem uma coisa fantástica, Olívio: é a primeira vez que os netos são mais sabidos do que os avós. É a primeira vez. Antigamente, pelo fato de você ser mais velho, você queria se impor em tudo, não é isso? Filho não podia falar quando você estava em reunião, você não podia dar palpite na conversa de adulto. Agora, não. Agora tem dois gênios em pé na garagem conversando e tem um moleque (incompreensível) e ele fala: “Como é que muda o canal da televisão?”. É só colocar dois controles remotos que as pessoas não sabem mexer. E o moleque de oito anos de idade vai lá e mexe, remexe, desvira, vira, aluga casa, paga aluguel, paga luz, paga água.

Então, eu penso que nós estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade, em que a imprensa já não tem mais o poder que tinha há uns anos atrás, a informação já não é mais uma coisa seletiva em que os detentores da informação podem dar golpe de Estado, a informação não é uma coisa privilegiada. O jornal da noite já está velho diante da Internet, o programa de rádio, se não for ao vivo, for gravado, já fica velho diante da Internet. O jornal fica hiper velho diante da Internet, e fica tão velho, que todos os jornais criaram o bloco para informar junto com os internautas do mundo inteiro. Bem, essas coisas, essas coisas todas nós não sabemos onde vai parar, nós não sabemos?

Eu sei que cada vez que eu converso com vocês, eu fico imaginado que se a minha geração fosse tão inteligente e criativa como a de vocês, nós já seríamos muito melhores do que nós somos hoje, porque a máquina pública é uma coisa complicada. Ela é cheia de vícios, de normas, sabe, que vêm da época do Império. E você ir mudando essas coisas, um burocrata, ele tem um manual, e o manual só diz o que pode e o que não pode. Se você apresentar uma coisa nova, é proibido. Ele não é capaz de falar: “bom, eu tenho uma coisa nova aqui, eu vou tentar intermediar”, não. Ele diz pode ou não pode. E tudo isso levou tempo para que o governo começasse a criar condições para chegar no nível que nós chegamos.

Eu vou contar uma coisa para vocês: há cinco anos atrás, nós tentamos adquirir uma empresa nossa, veja que absurdo. Nós comprarmos uma empresa nossa. Ela era nossa, mas quando foi privatizado o sistema de eletricidade no Brasil, foi privatizado também as redes de fibra ótica e foi criada uma empresa chamada Eletronet, que era aquela empresa americana AES, que não cumpriu com seus deveres e faliu. Então, pelo tratado, pelo contrato, a Eletronet era do governo. E nós então queríamos pegar de volta a Eletronet para que a gente pudesse levar Internet, sabe, para todas as casas brasileiras onde tivesse a rede, em todo o sistema de linha de transmissão do Brasil, inclusive nos oleodutos e gasodutos da Petrobras. Nós não pudemos comprar. Está até hoje na Justiça. Ou seja, querem que a gente pague uma fortuna pelo o que é nosso. Está na Justiça há mais de cinco anos. Tem um síndico da massa falida que quer ganhar mais do que vale a empresa. E nós até hoje não conseguimos a Eletronet de volta, que é um patrimônio público brasileiro.

Apenas para demonstrar para vocês a dificuldade que a gente tem. E eu acho que tem uma coisa acontecendo no mundo, que eu acho fantástico. Eu, quando vejo um menino de 15 anos, de 16 anos, eu quando vejo meu neto de sete anos conversando com todo mundo, eu fico pensando: o que será do mundo daqui a 20, 30 anos ou 40 anos com essa disponibilidade de conhecimento que está chegando na casa das pessoas? Nós tivemos o primeiro desafio: fazer com que o computador chegasse às mãos das pessoas mais pobres. Quem é do governo sabe quanto tempo nós passamos discutindo o Computador para Todos. O que nós queríamos? Nós queríamos que o computador chegasse na periferia do País, para as pessoas que ganhavam pouco, para que pudessem pagar, na época, R$ 50 de prestação. Nós não queríamos dar de graça, apenas vender. Criamos financiamento especial no BNDES para financiar o comércio varejista, para poder fazer chegar mais barato.

Ontem eu tive uma reunião com o comércio varejista, e a maior procura nas lojas hoje é o computador. Não mais o computador, agora já inventaram outro, é notebook. Já deram um passo adiante. Ninguém mais quer se sentar a uma mesa para lidar com o seu computador, já quer carregar o bichinho no colo. Então, é uma coisa exuberante que está acontecendo.

Eu fui agora inaugurar o programa Luz para Todos, e é importante os estrangeiros que estão aqui compreenderem. O Luz para Todos é um programa do governo federal para levar energia elétrica, sobretudo no campo, nas comunidades indígenas, nos quilombos, para as pessoas que não têm energia. Em 2004, a Dilma me apresentou uma proposta de a gente atender 10 milhões de pessoas até 2008, que eram os dados do IBGE. Na segunda-feira eu fui inaugurar a ligação na casa 2 milhões e 40 mil. Vocês sabem o que aconteceu? Preste atenção, Dilma. Peça para a sua assessoria anotar: as pessoas que receberam o Luz para Todos, 83% compraram televisor; 79% compraram geladeira; 47% compraram aparelho de som. E nós não medimos o computador.

A verdade é que agora, Sérgio, aquela mesma discussão que a gente fazia de levar computador para o pobre, agora nós vamos ter que tomar uma decisão de financiar computador para os companheiros que receberam energia elétrica depois de 500 anos no Brasil. Ou seja, nós tiramos as pessoas do século XVIII, colocamos no século XXI e, portanto, elas têm o direito de ter um computador para os seus filhos chegaremao século XXI imediatamente.

Nós… eu vou terminar… depois eu vou falar da lei do Azeredo, que eu vi o pessoal com uma faixa aí pedindo para eu vetar antes de a lei ser aprovada.
Primeiro, temos que batalhar bastante. Mas, [deixe-me] contar uma coisa para vocês. Nós, na informática… o Sergio Rezende, nosso ministro de Ciência e Tecnologia está aqui. Na Olimpíada da Matemática… Vocês sabem que, em 2004, a gente tinha uma olimpíada da Matemática que tinha 270 mil alunos de escolas privadas. Quando eu propus fazer a Olimpíada da Matemática nas escolas públicas – o Tarso era o ministro – algumas pessoas disseram para nós: “Não, criança de escola pública não tem interesse”. Em 2005 se inscreveram 10 milhões e 500 mil pessoas; em 2006 se inscreveram 14 milhões de pessoas; em 2007 se inscreveram 17 milhões de pessoas; em
2008, 18 milhões e 300 [mil]; e agora, para 2009, 19 milhões e 200 mil crianças da 5a a 2a série se inscreveram para a Olimpíada da Matemática. A maior olimpíada era a americana, que tinha por volta de 6 mil membros inscritos. A nossa tem 19 milhões e 300 mil crianças. Dessas, tem 300 que receberam medalha, entre bronze, prata e ouro, e dessas, 30 são tricampeãs de medalhas de ouro. Tem um menino que é um gênio, que ele ia para a escola… Ele é tetraplégico, ele é quase cego, quase surdo e não anda. Esse menino ia para a escola, o pai dele carregando ele em um carrinho de construção civil, e esse moleque é tricampeão da Olimpíada de Matemática.

Nós, agora, fizemos a Olimpíada de Português. Na primeira participaram 6 milhões de jovens, e este ano estamos começando a Olimpíada de Ciências, que são as três matérias mais complicadas para o nosso povo aqui. Então, essa molecada toda que ganhou medalha de ouro são gênios.

Então, o software livre é uma possibilidade de essa meninada reinventar coisas que precisam ser reinventadas. O que precisa? De oportunidade. Podem ficar certos de uma coisa, companheiros, que neste governo é proibido proibir. Neste governo… O que nós fazemos neste governo é discutir. Os empresários sabem quanto que nós discutimos, sem rancor, sem mágoa, sem querer abater um concorrente, não! É debater, é fortalecer a democracia e levá-la as suas últimas conseqüências. Porque esse país ainda está se encontrando consigo mesmo, porque durante séculos nós éramos tratados como se fossemos cidadãos de terceira classe, nós tínhamos que pedir licença para fazer as coisas, nós só podíamos fazer as coisas que os Estados Unidos permitissem, ou se a Europa permitisse.

E a nossa auto estima está em alta. Nós aprendemos a gostar de nós mesmos. Nós estamos descobrindo que nós podemos fazer as coisas. Nós estamos descobrindo que ninguém é melhor do que nós. Pode ser igual, mas melhor não são, não têm mais criatividade do que nós. O que nós precisamos é oportunidade.

Essa lei que está aí, essa lei que está aí, não visa corrigir abuso de Internet. Ela, na verdade, quer fazer censura. O que nós precisamos, companheiro Tarso Genro, quem sabe seja mudar o Código Civil, quem sabe seja mudar qualquer coisa. O que nós precisamos é responsabilizar as pessoas que trabalham com a questão digital, com a Internet. É responsabilizar, mas não proibir ou condenar. (incompreensível) é o interesse policialesco de fazer uma lei que permite que as pessoas adentrem à casa das pessoas para saber o que as pessoas estão fazendo, até seqüestrando os computadores. Não é possível, não é possível.

Então, eu queria, meu querido Marcelo, dizer para você que hoje – eu não sei os meus companheiros o que sentiram. Para mim, hoje foi um dia glorioso, glorioso, porque eu tenho uma assessoria especial, que cuida da cuida da questão digital, amigo do Marcelo, tenho… O governo tem dez ministros que falam em inclusão digital. Inclusão digital é a palavra mais “sexy” do governo, sabe? É a palavra mais “sexy” – todo mundo fala. E, então, eu precisava de um coordenador que falasse uma linguagem só para mim, e coloquei o companheiro César Alvarez, que é um gaúcho aqui do Rio Grande do Sul, torcedor do Internacional, que vai apenas empatar com o Corinthians quarta-feira, por bondade dos gaúchos. O Olívio Dutra é conselheiro e eu pedi para ele falar com o Conselho do Internacional: empata a zero a zero, para nós está bom, Olívio, não tem nenhum problema.

Mas eu, então, com essa coordenação, nós estamos tentando avançar. Eu só queria dizer para vocês uma coisa: olhem, eu tenho mais um ano e meio de mandato. Mais um ano e meio de mandato. É importante que vocês detectem aquilo que nós já fizemos e que precisa ser aperfeiçoado. E é preciso que vocês detectem aquilo que nós ainda não conseguimos fazer, e nos ajudem a fazer. Porque nem sempre o problema do governo é problema de dinheiro. As vezes é que as pessoas têm 500 atividades, e essas novidades vão ficando para segundo plano, e por isso que nós temos uma coordenação. E vamos ver, companheiros, se com todos esses números que a Dilma colocou aqui para vocês, com a nossa intenção de colocar este país dentro da inclusão digital, de fazer com que as crianças da periferia tenham os mesmos direitos que as crianças do rico, de ter acesso à Internet, de poder se formar, de poder transitar livremente por esse mundo, que é a Internet, nos ajude a conseguir.

Tenha certeza de uma coisa, Marcelo: nós não sabemos tudo, nós sabemos apenas uma parte. Sozinho talvez você também não saiba tudo, saiba só uma parte. Mas se a gente juntar um pouco do que cada um de vocês sabe, a gente possa construir um tudo que falta para a gente, definitivamente, democratizar este país de verdade, e que todos sejam livres e que possam fazer as coisas o bem. As pessoas de bem são maioria. Não vamos ficar nervosos porque de vez em quando aparece um maluco falando as coisas. Tem até um site propondo morte ao Lula. Não tem problema, os que propõem vida são infinitamente maiores. Infinitamente maiores.

Então, eu queria dizer para vocês que entrar naquele “corredor polonês” e ver aquela gama extraordinária de meninos e meninas, acho que todos com
menos de 25, 30 anos de idade, é a gente poder sair daqui e dizer em alto e bom som: “Finalmente este país se encontrou consigo mesmo. Finalmente este país está tendo o gosto da liberdade de informação”.

Um abraço e bom encontro para vocês.