Arquivo da categoria ‘(Pré)Conceitos’

8 de março de 2010 dia internacional da mulher. Fragilizadas pela sociedade sexista e excludente, assim como muitos outros grupos, as mulheres mesmo tendo seus direitos usurpados pela sociedade se sobressaíram, e hoje estão usufruindo de uma igualdade lhes atribuidas por direito natural.

Hoje é dia de lembrar das muitas mulheres que lutaram e lutam  pelos seus dreitos e contra o sexismo que teima em existir na nossa sociedade. Também deve ser aclamado aos que ainda não lutam por essa causa tão honroso e necessária.

A todas as mulheres, meus parabéns pela luta constante, não só contra os que retiram seus direitos, mas também lutam para que o mundo em que vivemos venha a ser  um lugar melhor.

Alguns exclarecimentos sobre a data:

Fonte: http://www.usp.br/agen/bols/2000/rede518.htm

Dia Internacional da Mulher: fatos e mitos

O dia 8 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é constantemente associado a uma proposta da líder comunista alemã Clara Zetkin, feita em 1910, durante o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, ocorrido em Copenhague, para lembrar operárias mortas num incêndio que teria ocorrido em Nova York, em 1857. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, e coordenadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações de Gênero (Nemge), “o acidente de 1857 não aconteceu” e, durante o Congresso, a líder comu-nista propôs um Dia Internacional da Mulher, porém, sem definir uma data precisa para as comemorações. “O dia 8 de março baseia-se em fatos históricos diferentes daqueles que são freqüentemente repetidos sem uma consulta adequada”, afirma.

De acordo com Eva Blay, o incêndio relacionado ao Dia Internacional da Mulher é o que ocorreu no dia 25 de março de 1911, nos EUA, na Triangle Shirtwaist Company (Companhia de Blusas Triângulo), uma fábrica têxtil que ocupava o oitavo, o nono e o décimo andar de um prédio. A Triangle empregava 600 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos. Fugindo do fogo, parte dos trabalhadores conseguiu alcançar as escadas descendo para a rua ou subindo no telhado. Outros desceram pelo elevador. Mas a fumaça e o fogo se expandiram, e muitos trabalhadores pularam das janelas para a morte. Algumas mulheres morreram nas próprias máquinas. Houve 146 vítimas fatais, sendo 125 mulheres e 21 homens. No funeral coletivo ocorrido dia 05 de abril compareceram cerca de 100 mil pessoas.

No local do incêndio está construída uma parte da Universidade de Nova York, onde consta a inscrição: “Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores perderam suas vidas no incêndio da Companhia de Blusas Triangle. Deste martírio resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que ajudaram a tornar as condições de trabalho as melhores do mundo.”

Segundo Eva Blay, é muito provável que o sacrifício das trabalhadoras da Triangle tenha se incorporado ao imaginário coletivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher pela luta por elas travada. Mas o processo de instituição de uma data comemorativa já vinha sendo elaborado pelas socialistas americanas e européias há alguns tempo, e foi confirmado com a proposta de Clara Zetkin em 1910.

“O dia 08 de março passou a ser comemorado mais intensamente na década de 60, após o fortalecimento do movimento feminista, quando também passaram a ser discutidos problemas da sexualidade, da liberdade ao corpo, do casamento e dos jovens”, relata. Embora não se conheça com precisão por que o dia 8 de março foi escolhido, o fato é que ele se consagrou ao longo do século XX. A consagração do direito de manifestação pública veio com o apoio internacional, em 1975, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data como o Dia Internacional da Mulher.

http://www.usp.br/agen/bols/2000/rede518.htm

Zumbi dos Palmares

Consciência Negra

20 de novembro dia da consciência negra, infelizmente muitos não sabem os reais motivos desta data tão importante para os negros brasileiros. E que neste dia após muitas lutas entrava para história um dos maiores heróis do nosso país.

Em 20 de novembro de 1695 foi assassinado ZUMBI DOS PALMARES, maior ícone da resistência negra ao escravismo e em favor da liberdade. “Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for à tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil é de extrema importância, afinal é um herói genuinamente brasileiro.

ZUMBI foi assassinado por uma luta que ainda não acabou. Os negros brasileiros ainda não gozam da liberdade merecida por direito.  Seja pela discriminação, seja pela cor da pele ou pela cultura afro. A questão é que ainda não podemos nos considerar livres, se em todos os índices de qualidade em nosso país estamos em escalas menores que as outras etnias.

Por isso julgo que a consciência Negra/Resistência é algo que temos que ter o ano todo. “Devemos conhecer a historia de nosso povo, conhecer, valorizar e dar continuidade em nossa tradição cultural (presente na capoeira, candomblé, congadas, maracatu e muita vezes nos ditados de nossas avós, em nosso jeito de fazer as coisas), mas ao mesmo tempo buscar sempre nos organizar e lutar contra o racismo e seus impactos em nossa vida. A luta sem identidade é vazia… A identidade sem luta é mentirosa.” [1]

O estatuto da igualdade racial é uma vitória, mas temos muitos que nos articularmos, nos unirmos para que as políticas de ações afirmativas, que nos dê a igualdade prevista na constituição seja uma realidade. A todas as etnias do nosso país, nesse dia, lembramos das lutas passadas e lutemos no presente por nossa liberdade.

Thiago Santos de Amorim

Fontes:

1 – http://acaoperiferica.ourproject.org/?p=6

2 – http://www.unificado.com.br/calendario/11/con_negra.htm

3 – http://www.palmares.gov.br/

4 – http://www.comciencia.br/reportagens/negros/03.shtml

MARIA JOSÉ COTRIM
JORNALISTA

O Afro Reggae está de luto! Um inquérito militar foi aberto para investigar a conduta dos militares na omissão de socorro ao coordenador do grupo Afro Reggae, Evandro João da Silva, 42, que foi assassinado no Centro do Rio, no último domingo (18). Quando comento entre colegas jornalistas a necessidade da igualdade racial em nosso país, sempre dizem que são os próprios negros que são os preconceituosos e que querem uma “supremacia de raças”.

Leia o texto na integra: negroemdebate.blogspot.com

Cartilha de cotas.

cotas

A favor e contra as cotas, infelizmente as pessoas se posicionam facilmente em um dos dois lados, sem conhecerem o que a historia nos reservou, e o que realmente os brasileiros precisam para que o Brasil não seja eternamente o pais do amanha.

Para esclarecer o porquê sim das cotas, o Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas criou uma cartilha intitulada  “Cotas porque sim?” , no intuito de esclarecer o porque das discussões sobre cotas para negros em nossa sociedade.

É bem verdade que ao iniciar uma discussão sobre cotas, costuma-se cair no senso comum, no qual se afirma que todos somos iguais, e por isso devemos ser tratados igualmente como consta na constituição. Porém sabe-se que somos diferentes, e que para haver uma igualdade real necessário é, que sejam todos os diferentes tratados de forma diferencial na medida em que se diferenciam.

Atualmente sabe se que as mulheres precisam ter seus direitos resguardados, e políticas em favor das mesmas foram criadas para fazer valer tais direitos. As crianças e adolescentes que são muito vulneráveis também estão sendo tratados de forma diferenciada para que não sejam mal tratados.  Os idosos receberam em seu estatuto “privilégios” justos e merecidos por servirem ao país.

Sendo assim, acreditamos que tratar uma parcela da população, que desde o descobrimento do país tem sido explorada, escravizada e depois marginalizada, com políticas públicas para provimento da igualdade, não vem a ser um problema,  muito pelo contrário. Surge agora no ulular de muitos dos negros que perderam a vida por dias melhores em terras tupiniquins, uma pequena luz que visa o reparo deste trágico momento da história chamado escravidão.

Segue alguns trechos retirados da cartilha do Ibasa que merecem reflexão. Para baixar a cartilha completa clique aqui.

“A questão é que enquanto não for reconhecido o esforço de cada grupo que compõe nossa população – o quanto cada um deles contribuiu, e contribui, para a formação da sociedade brasileira –, seremos sempre o país do amanhã. Enquanto não houver igualdade de oportunidades para toda a população, independentemente de cor, raça, gênero, orientação sexual, origem, renda etc., a concretização do Brasil como nação verdadeiramente democrática estará cada vez mais distante”

“A discriminação racial no Brasil é mesmo bastante particular e precisa ser vista com atenção. Não tivemos apartheid, mas o racismo persiste na nossa sociedade, muitas vezes sem se declarar, aparecendo mais em atitudes e menos freqüentemente na fala.”

“A omissão também é uma forma de perpetuar o preconceito, seja no que diz respeito a qualquer situação de discriminação que ocorra em sala de aula, seja por não discutir os pro­blemas raciais na sociedade brasileira ou, ainda, por não trabalhar em classe a rica contribuição histórica, cultural e intelectual dessa população.”

Thiago Santos de Amorim

George Reid Andrews: historiador; Autor de livros sobre o Brasil, ele defende ações afirmativas e concorda com as decisões judiciais, mas faz algumas ressalvas

Felipe Werneck, RIO


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A recente liminar do Tribunal de Justiça do Rio que suspendeu o sistema de cotas no Estado, considerado inconstitucional, segue decisão semelhante de 1978 da Corte Suprema Federal dos EUA, diz o historiador George Reid Andrews, professor da Universidade de Pittsburgh e autor de livros sobre o Brasil. Ele afirma concordar com as decisões judiciais e avalia que uma eventual cota para pobres, e não para negros, “teria os mesmos problemas”.

Reid é a favor de ações afirmativas, mas não necessariamente na forma de cotas. O brasilianista sugere uma combinação de medidas e afirma que o país latino-americano mais bem sucedido no combate a essas desigualdades é Cuba. Para ele, apesar do número relativamente pequeno de ativistas, o movimento negro foi responsável por “conquistas extraordinárias” ocorridas no País nos últimos anos.

“Questionaram a imagem dessa sociedade como uma democracia racial e convenceram os presidentes recentes (FHC e Lula) a reconhecerem a realidade das desigualdades e discriminações raciais e a proporem políticas para combater esses problemas, algo absolutamente impensável no País dos anos 80.”

Reid é autor dos livros “Negros e Brancos em São Paulo, 1888-1988” (Edusc) e “América Afro-Latina, 1800-2000”, sua publicação mais recente, editada no País pela EdUFSCar.

O Tribunal de Justiça do Rio considerou inconstitucional a lei de cotas adotada em universidades do Estado. No Brasil ainda se discute uma lei federal sobre o tema e uma das propostas é a criação de uma reserva para pobres. Como o sr. avalia?

Como uma opção bem interessante. Uma das conclusões de Afro-América Latina é que o país latino-americano mais bem-sucedido no combate às desigualdades raciais é Cuba. O censo cubano de 1981 mostrou a ilha como a sociedade mais racialmente equitativa – nos índices de expectativa de vida, educação, emprego, estado civil, etc. – das Américas. E essa igualdade se alcançou inteiramente por meio das políticas universais dirigidas às classes pobres cubanas. Mas vejo também dois pontos contra uma política de cotas para os pobres. Primeiro, sou muito a favor das ações afirmativas, mas não necessariamente na forma de cotas. Uma cota para pobres teria os mesmos problemas que para qualquer outro grupo. Segundo, uma cota para pobres não vai resolver os problemas enormes dos afro-brasileiros que estão na luta para entrar, ou avançar, na classe média. Para mim, o estudo mais importante do problema racial no Brasil nos últimos anos é ?Racismo à brasileira?, de Edward Telles.

De que forma esse debate ocorreu nos EUA?

Os EUA adotaram uma política oficial de ações afirmativas em 1965, por ordem do presidente Johnson. Essa política foi estendida por Nixon em 1969, cujo Departamento de Trabalho mandou que as empresas privadas contratadas pelo governo empregassem uma certa porcentagem de negros. Nos anos 70, esse sistema de cotas foi adotado por muitas agências governamentais, empresas privadas e universidades. Em 1978, a Corte Suprema Federal considerou inconstitucional o sistema de cotas raciais na seleção de alunos para universidades. O julgamento acabou com esse sistema, mas deixou aberta a possibilidade de se levar em conta a raça como um critério na seleção de candidatos. Em 2003, mais uma vez ficou determinado o uso da raça como um dos critérios na seleção.

Críticos das cotas para negros dizem que elas teriam o efeito colateral de “fomentar o ódio racial”. O Brasil correria o risco de ser repartido em etnias. O sr. concorda?

Conforme dados oficiais do IBGE nos últimos 30 anos, o Brasil efetivamente já é uma sociedade bicolor. Pardos e pretos experimentam níveis de desigualdade e discriminações bastante parecidos e o IBGE juntou os dois grupos numa só categoria de ?negros?. Criar um sistema de cotas dividido em brancos e negros seria reconhecer a realidade social e racial do país. A sociedade brasileira não pode deixar de responder às marcadas e seculares desigualdades raciais que a afligem.

Qual foi o impacto das políticas de ações afirmativas?

Minha hipótese seria que os impactos das políticas de ação afirmativa foram muito significativos, especialmente no contexto de uma sociedade saindo da experiência histórica da segregação racial. Uma das conclusões foi que políticas parecidas poderiam ter impactos significativos no Brasil, no sentido de reduzir as desigualdades raciais.

Gilberto Freyre ainda é muito estudado nos EUA?

Muito. Nos últimos anos ele tem experimentado uma reavaliação e ressurgimento acadêmico notável, tanto nos EUA quanto no Brasil. Não é muito frequente que um autor continuar tão citado quase um século depois de sua atuação. Um motivo para essa relevância é sua experiência de ter saído do país para vê-lo de fora.

Quem é:

George Reid Andrews

É PhD em História pela Universidade de Wisconsin

Professor na Universidade de Pittsburgh

Autor de Negros e Brancos em São Paulo, 1888-1988

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090615/not_imp387345,0.php

Maria José Cotrim

O Movimento dos sem universidade – MSU realiza no sábado, 30, no Colégio Marista em Palmas um debate acerca das políticas públicas para o ensino superior no Brasil e no Tocantins. O debate começa a partir das 14h e engloba a discussão sobre o projeto de lei 180/ 08 que trata da reserva de cotas para alunos de escolas publicas, respeitando o percentual de negros e indígenas de cada região. Para falar do assunto, o convidado é Eduardo Xavier de Belo Horizonte.

Além dos universitários, professores e representantes do poder público, integrantes do movimento negro do Tocantins contribuirão no debate. Outro tema abordado no encontro, através de uma mesa redonda é o direito a educação, acesso e permanência nas universidades e as políticas de distribuição de bolsas universitárias no Estado do Tocantins. O debate sobre a temática será mediado pela Coordenadora do Centro de Educação popular, Maria Vanir Ilídio.

Na pauta de discussões também serão abordadas as novas políticas de acesso a Universidade no Brasil e o Reuni, o assunto será mediado pelo reitor da Universidade Federal do Tocantins – UFT, Alan Barbiero. Para encerrar o ciclo de debates, o evento também propõe uma discussão sobre os novos rumos da Unitins, uma oportunidade para falar da situação polêmica que a instituição passa e o reflexo disso para os acadêmicos, participa como convidado dessa mesa, o Pró – Reitor de Graduação da Unitins e Claudia de Almeida – estudante de Serviço Social da UNITINS.

O Movimento dos Sem Universidade surgiu e foi assim denominado em 2001, atua com formação, ação, organização com parcerias sociais, no sentido de abrir as portas das universidades para o povo. É uma organização fruto dos cursinhos populares que busca ações políticas para garantir o acesso ao ensino superior.

Contatos para inscrição e mais informações: 8416 91 83/ 9246 19 17

Deydjane da Luz

Foto: Divulgação
II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial

A Secretaria da Cidadania e Justiça em parceria com a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial realizarão no período de 06 a 08 de maio de 2009, a “II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial”. O evento acontecerá no Auditório da OAB, em Palmas.

PROGRAMAÇÃO

DIA 06 – QUARTA- FEIRA

17h – Credenciamento de delegados.
20h – Solenidade de abertura
– Pronunciamentos
– Lançamento da 2ª edição do livro Roda de São Gonçalo na Comunidade Quilombola de Lagoa da Pedra, de autoria do Jornalista Wolfgang Teske.
– Apresentação dança do Lindô, riqueza cultural da Comunidade Quilombola de Cocalinho.

DIA 07 – QUINTA-FEIRA

8h – Credenciamento de delegados.
8h às 9:30 – Aprovação do Regimento Interno da Conferência.
9:30h às 10:30 – Palestra: Análise da realidade brasileira, a partir da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, com Ivair Augusto Alves dos Santos – da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Brasília.
10:30 às 10:45– Intervalo
10:45 às 12h – 1ª mesa-redonda com a temática ‘Quilombolas, acesso a terra e a qualidade de vida’, com a participação da Funasa, Incra, MDA e coordenação da SECIJU/mediação Fórum Permanente de Educação e Cultura Afro-brasileira.
14h às 15:30 – 2ª mesa-redonda com a temática ‘Defesa da Dignidade Humana nas políticas estaduais’, com a participação das Secretarias de Habitação, Saúde e Educação e Fundação Cultural do Tocantins com a coordenação SECIJU / mediação Articulação das Mulheres Tocantinenses.
15:30 às 15:45h- Intervalo
15:45 às 17h – 3ª mesa-redonda com a temática Políticas públicas estaduais promovendo a Cidadania, com a participação das Secretarias de Trabalho e Desenvolvimento Social (políticas públicas de assistência social, e segurança alimentar e nutricional), Segurança Pública, Cidadania e Justiça e Consea. Coordenação SECIJU. / Casa 8 de Março

DIA 08 – Sexta-feira

8h às 12h – Discussão dos GTs – Grupos de Trabalhos, segundo os eixos temáticos.
14h – Aprovação das propostas dos GTs para a Conferência Nacional – Eleição dos Delegados para a Conferência Nacional.

http://seciju.to.gov.br/noticias.php?id=1507

Maria José Cotrim

A globalização traz as tecnologias da comunicação e informação, que vêm agilizar dinamizar e facilitar o processo comunicacional. Mas eu hei de concordar com minha querida professora Valdirene Cássia que ainda vivemos o fenômeno de exclusão sócio-digital. Falta muita gente ainda ser incluída neste processo.
O acesso à essas tecnologias ainda é limitado, como quase tudo neste país. Sinto muito pelas pessoas mal informadas que insistem em cultivar o preconceito, mas não posso perder a oportunidade de, chama-las de retrógradas e alienadas. Vivem na ilha da fantasia como diz o ex-candidato a prefeito de Palmas Getúlio.

Na manhã desta segunda, uma senhora muito simpática por sinal, me achou bonitinha. Minha auto-estima por alguns minutos foi ao ápice. Nossa, mas como você é uma negra lindinha… dizia ela. Retribui com um sorriso amarelo de fome. De repente, avisto de longe meu amigo Dante e esta simpática senhora deixa a máscara cair. “Mas que cabelo hem?,tem uns negão que só usa esses cabelo, deve ser dos lados da Bahia, isso fede que nem gambá. Deve que nem toma banho, num é?”

Comentário infeliz coitada! Esqueceu por alguns instantes da minha cor. Como esperado, pois Dante é um poço de educação, ele se aproxima e diz Oi amiga ah quanto tempo! A senhora ficou primeiro vermelha, depois roxinha que nem berinjela. E como se tivesse sido planejado ele ainda pergunta se eu gostei de seu novo visual.

Dona Vilma me surpreendeu então. Prontamente respondeu: Ficou na moda! tá lindinho. Como faz pra lavar? indagou ela. Ele diz Uai normal! Passaram-se vinte minutos de conversa e aqueles dois não se cansaram, o papo tava da hora! Dante então se despediu e Dona Vilma disse: Uma gracinha esse rapaz. Ah e o rastafare lava sim, esse povo da televisão é que fica colocando coisa na cabeça da gente. E ele nem é da Bahia, essa moda já chegou aqui no Tocantins. Você acredita?

Não sou psicóloga para entender o comportamento daquela senhora, mas numa análise comportamental mas por trás dos “inhos” e “inhas” que ela adjetivava tem muito preconceito adormecido. É Getúlio, sua tese não está por completo errada, tem si muitos habitantes na ilha da fantasia . Ela acha que sou besta de acreditar que a culpa de tanto preconceito é da televisão. Ela mesma me deu subsídios necessários para ter certeza que ela não está tão gagá a ponto de se deixar levar pela televisão.

O problema é o preconceito mesmo.E na illha que ela vive todo mundo é assim. Se esconde atrás de alguma coisa pra justificar o preconceito. Mas a máscara sempre cai e isso não é a televisão que ensina.

retirado de: http://negroemdebate.blogspot.com/

por Salomon Blajberg*

Na década de 1980, face às despudoradas evasivas da nossa diplomacia brasileira com respeito às relações do Brasil com o Estado aparteísta da África do Sul1 parecia utópico pensar que algum dia mecanismos formais de participação da sociedade civil na elaboração, execução e acompanhamento da política externa brasileira pudessem ser criados, algo que só recentemente começa a avançar nas casas legislativas do país.

A primeira manifestação que houve no Brasil contra o apartheid foi em 1959 – jogadores brasileiros do clube de futebol Portuguesa Santista, que estava em trânsito pela África do Sul para ir disputar jogos em Moçambique, foram vítimas do Apartheid. O então Encarregado de Negócios da Legação Brasileira na Cidade do Cabo, Segundo-Secretário Joaquim de Almeida Serra foi provavelmente o primeiro brasileiro a se manifestar contra o Apartheid sul-africano2 e sua atitude impedindo os jogadores brancos e negros brasileiros de se submeterem ao apartheid fortaleceuo movimento contra o apartheid esportivo na própria África do Sul3 ao mesmo tempo em que por sua atitude dava ao povo brasileiro exemplar lição de como tratar o racismo nas relações internacionais. Era a época dos “anos dourados” do governo de Juscelino Kubitscheck que construía Brasília. O Brasil tinha acabado de ser campeão mundial de futebol com Pelé, Garrincha e a esperança e o patriotismo tinham lugar. Somente quase trinta anos depois o repúdio ao racismo nas relações internacionais ficaria consagrado no texto da Constituição Brasileira de 19884, que entrou para a história como a Constituição Cidadã.

Apesar de na história das relações do Brasil com a África do Sul aparteísta o Itamaraty5 ter agido de forma contida quando se tratava de sancionar o Apartheid, a casa nunca deixou de ter diplomatas como Joaquim de Almeida Serra6 dos quais o povo brasileiro sempre se orgulhará7.

A luta antiapartheid, que deu origem ao Comáfrica, além de ter levado a um movimento de solidariedade internacional cujo modus operandi foi o de um prelúdio a uma bem sucedida articulação internacional de movimentos sociais precursora das formas de atuação em rede dos movimentos sociais globais que procuram se afirmar no século XXI pela globalização dos povos como alternativa à globalização do capital teve também grande impacto no Brasil.

Um dos principais resultados desta luta na formulação da política externa como política pública foi o fato acima mencionado, de que foi consagrado o repúdio ao racismo entre os princípios fundamentais que regem as relações internacionais do país na Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988.

Os processos que levaram a CMCR – Conferência Mundial contra o Racismo em 2001 em Durban, África do Sul sob a égide da ONU guardam estreita vinculação com a luta antiapartheid e são também a continuidade de todo um processo de diplomacia cidadã e de mobilização não-governamental – “política externa dos de baixo” que vem desde o século XIX, tendo suas raízes nos movimentos abolicionistas, pan-africanistas, pelo fim do colonialismo, pelos direitos civis e contra o racismo e a intolerância.

A Diplomacia Cidadã, ou seja, a diplomacia que assessora a sociedade civil “dos de baixo”8, na formulação e execução da política externa como política pública – a Política Externa “dos de baixo”, portanto, não é uma novidade.
No Brasil, aos exemplos citados na página inicial do sítio http://www.comafrica.org9, como os da entrada do Brasil na II Guerra Mundial, da campanha do petróleo e nosso e da luta antiapartheid soma-se na década dos 90 a diplomacia cidadã da luta contra o racismo em escala pan-americana e com seu conseqüente desdobramento internacional.

Apesar de as resoluções da Conferencia de Durban terem sido suaves com referencia às reparações ou indenizações compensatórias pela escravidão, o seu desdobramento internacional permitiu que no Brasil se fortalecesse a militância por políticas públicas compensatórias que dão o tom à atual discussão presente nos veículos de comunicação e no Congresso Nacional sobre políticas de ação afirmativa (“cotas para afro-descendentes”) como compensação pela escravidão.
Isto constitui mais uma vez um exemplo concreto de como a política externa pensada como política pública pode ter desdobramentos internos de longo alcance.
Outra área em que a diplomacia cidadã tem podido atuar, tem sido através dos níveis municipais e estaduais, considerados no âmbito do estudo das RI como níveis subnacionais e o contato mais próximo entre a sociedade civil local ou estadual com os respectivos níveis de governo também facilita a formulação da política externa subnacional como política pública. No caso municipal um exemplo antigo e tradicional é o de geminação de cidades, e o apoio municipal a iniciativas internacionais congregando a sociedade civil internacionalmente. No plano estadual, lembramos aqui de posicionamentos que contribuíram para o reconhecimento dos movimentos de libertação nacional no Brasil como sujeitos de direito internacional, como foi o caso do Projeto de Lei que concedeu o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro a Nelson Mandela em 1985, apresentado pelo então Deputado Alexandre Farah do PDT-RJ10 e a posterior concessão pela FAPERJ em 1986 de uma Bolsa para treinamento no Brasil, em mediação lingüística PortuguêsóInglês, de um quadro técnico do ANC então no exílio em Angola, ambos projetos também subsidiados pelo Comáfrica e pela IURI-Ineafric11.

Como resultado do crescente interesse da sociedade civil pela sua participação na formulação da política externa, certos mecanismos começam a ganhar espaço como foi o caso da Conferência Nacional em 2001 para preparação da posição do Brasil na CMCR12.

No século XXI a par da transnacionalização levada a efeito pelos movimentos de capitais e de pessoas, pela mercantilização da cultura e pelos desportos, vemos um espaço público transnacional se constituir onde a diplomacia cidadã, mais do que um supletivo não-governamental para políticas externas de estados nacionais ou de estados estrangeiros, busca a unidade de ação transfronteira para garantir os direitos humanos e civis dos povos que efetivamente representa.

Nelson Mandela em 1/11/2006 ao aceitar o Prêmio Embaixador de Consciência que lhe foi conferido pela Anistia Internacional13 disse: “As pessoas que vivem sumidas na pobreza são as que têm menos acesso a esse poder que lhes permitiria forjar políticas, forjar seu futuro. Mas tem direito a se expressar. Não devem ser obrigadas a permanecerem sentadas, em silêncio, enquanto o “desenvolvimento” é propagado ao seu redor e as suas custas.”.

Onde a diplomacia convencional falhar, aquelas pessoas terão que recorrer a seu direito de se expressar – poderão forjar sua política externa, seu futuro, através da diplomacia cidadã.

Comafrica.org está aberto na área da Diplomacia Cidadã, ou seja, a diplomacia que assessora a sociedade civil “dos de baixo” a estabelecer parcerias com outras instituições de pesquisa, ensino e demais organizações com o objetivo de reconstruir a cooperação internacional através do resgate da memória, da difusão de informação e da revitalização dos espaços públicos, criando um espaço para cooperação com a África no Rio de Janeiro.

http://www.comafrica.org/pt/diplomacia_cidada.php

Bertolt Brecht (1898-1956)

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.