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A postagem abaixo foi copiada do site http://blog.vettalabs.com/category/memoria/. Não concordo com todo o texto, porém acredito que o mesmo  nos trás uma visão interessante do funcionamento do cerebro, principalmente  no que tange ao funcionamento da memória.

Por Samir Araújo

“Como funciona o cérebro humano? A resposta desta pergunta solucionaria um dos maiores mistérios sobre a natureza do homem. Mas, como ainda não temos esta resposta, buscamos, através de diversas teorias, explicar como nós somos capazes de resolver problemas, memorizar enormes quantidades de dados, reconhecer padrões sensoriais (imagens, sons, cheiros, etc.) com grande rapidez, além de realizar diversas outras tarefas que não sabemos ao certo como são tratadas no nosso cérebro.

Uma das mais importantes teorias sobre o cérebro, mais especificamente sobre o córtex cerebral, foi cunhada pelo neurocientista Vernon Mountcastle e se refere às colunas corticais e aos padrões cerebrais. O córtex cerebral é a camada mais externa, constituída de tecido nervoso cinzento, que encobre a parte interna do cérebro (tecido nervoso branco) de todos os mamíferos. Nos humanos, o córtex possui seis camadas, cada uma da espessura uma carta de baralho. Acredita-se que quanto mais camadas, mais ‘inteligente’ a espécie – os golfinhos possuem apenas três camadas. Não entrarei em detalhes sobre a parte da teoria que fala sobre as colunas corticais, mas de uma forma geral elas mapeiam o córtex em uma arquitetura de colunas conectadas de forma hierárquica e dispostas nas seis camadas que constituem o córtex cerebral. Essa dica não ajuda muito a entender como as colunas funcionam (quem quiser se aventurar busque por: An Organizing Principle for Cerebral Function…” 1978, por Vernon Mountcastle), mas será importante para compreender como os padrões cerebrais são transformados em memórias e vice-versa.

Mas o que são estes tais padrões cerebrais? Você já deve ter ouvido falar das sinapses e dos pulsos elétricos (provavelmente nas aulas de biologia que você assitiu no segundo grau), utilizados pelas células cerebrais (neurônios), para se ‘comunicarem’ entre si. Não se lembra? Tudo bem. Imagine que o cérebro é formado por uma malha de bilhões de fios metálicos que trafegam freneticamente energia elétrica de um ponto a outro do cérebro. Hmm, mas e os padrões? Bom, os padrões podem ser compreendidos como sequências de pulsos elétricos, que passam a ter um significado se levado em consideração o intervalo de tempo que estes pulsos chegam ao cérebro. Para ficar mais interessante, pense em todos os seus órgãos sensoriais (olhos, ouvidos, pele, etc.) como conversores de padrões. Eles capturam, no ambiente externo, dados brutos de diversos tipos, fazem o devido tratamento e entregam os resultados ao cérebro no formato destes pulsos elétricos temporalmente ordenados. Dessa forma, o cérebro “apenas” tem que se preocupar em receber os padrões, reconhecê-los, catalogá-los, armazená-los e prover alguma forma de serem recuperados futuramente. É importante ressaltar que qualquer parte do córtex é capaz de tratar padrões provenientes de quaisquer fontes sensoriais.

Ei, espera aí. Qualquer parte do córtex é capaz de tratar padrões de qualquer origem? Mas como ficam aquelas teorias que sempre ouvimos falar sobre o cérebro ter uma área responsável por reconhecer padrões visuais, outra para lidar com a língua falada, outra para realizar raciocício matemático, etc. ? Mountcastle acredita que o córtex não é constituído de forma modular. Segundo ele, qualquer área do córtex é capaz de lidar com informações de qualquer natureza. Ah! É por isso que eu já vi vários casos de pessoas acidentadas perderem boa parte do cérebro e depois de um tempo de recuperação voltaram a viver suas vidas normalmente (ou quase). Sim, é muito provável que o cérebro funcione desta forma e, levando isto em consideração, podemos dizer que o córtex trabalha com um “algoritmo genérico de manipulação de padrões”. Ou seja, qualquer padrão que chegue ao cérebro ou trafegue por ele é tratado da mesma forma, sem essa de módulo que faz isso pra cá e módulo que faz aquilo pra lá.

O modelo forjado por esta teoria permitiu o avanço de diversas pesquisas sobre a organização e o processamento dos padrões cerebrais. Um exemplo disso: o criador do mundialmente conhecido Palm Pilot e entusiasta dos estudos sobre o córtex cerebral, Jeff Hawkins, que escreveu um livro em 2005 chamado OnIntelligence. Neste livro ele reforça com diversos outras suposições, relatos e experimentos as teorias de Mountcastle e ainda faz especulações sobre vários outros assuntos ainda não explicados sobre o funcionamento do cérebro. É importante ressaltar o autor de OnIntelligence é um computeiro e um sujeito bastante prático. Ele deixa claro que o seu objetivo, no final das contas, é converter as teorias criadas por neurocientistas, biólogos, psicólogos, filósofos e outros estudiosos (incluindo ele próprio) num modelo computacional aplicável à construção de máquinas inteligentes. Mas, o que chama atenção em seu livro é a forma com que ele aborda os principais fundamentos das teorias sobre o córtex cerebral, além de explicá-las de forma prática. De uma forma sintética, as principais responsabilidades do córtex, apresentadas por Hawkins, são:

  • Armazenamento sequencial de padrões: Quando o cérebro precisa armazenar alguma informação, os padrões que chegam ao córtex são armazenados de forma sequencial. Isso significa que o cérebro cria elos de comunicação entre os padrões de entrada, constituindo a memória a partir de um encadeamento de padrões. Como o tempo é levado em consideração durante este sequenciamento, as cadeias geradas também possuem informações temporais, que indicam o momento de chegada e/ou ativação de cada padrão. A ativação se refere ao acionamento de um padrão já armazenado no córtex, que também pode compor uma nova memória, combinando-se com outros novos padrões.
  • Capacidade de invocar padrões auto-associativos: Ao tentar se lembrar de algum fato, nosso cérebro começa a busca pelo padrão que inicializa a cadeia referente à memória que explica tal fato. Depois que este padrão foi recuperado, ele invoca o padrão consequente através do elo criado entre os dois. Este processo se repete até que toda a cadeia tenha sido recuperada e o fato relembrado. Por isso você consegue se lembrar do alfabeto de A a Z com facilidade, mas não consegue de Z a A, pois você não foi ‘treinado’ e não possui os padrões sequenciais necessários para se lembrar do alfabeto de trás p/ frente. É claro, que se você fizer um treinamento – pensando no córtex, este treinamento seria o armazenamento de padrões temporais que representam as letras de Z a A – semelhante ao que você fez para se lembrar de A a Z, você conseguirá facilmente realizar esta tarefa.
  • Armazenamento de padrões num formato invariante: Imagine que você está num parque brincando com uma criança. Você tem uma bola em suas mãos. A criança pede a bola e você a joga. Então a criança repete o seu gesto e joga a bola para você. Você a pega e continua a brincadeira. Todo o mecanismo necessário para realizar as ações que você e a criança executaram é tratado de forma ‘inconsciente’. Você não se preocupa com a velocidade da bola, as forças que atuam sobre ela, o seu peso, etc. Simplesmente a joga e depois a pega. Isto porque existe uma invariante armazenada no seu cérebro que representa ‘pegar algo’ e ‘jogar algo’. Uma invariante nada mais é do que um conjunto de padrões genéricos, que serve como modelo para o processamento de padrões mais específicos. Não existe, de forma detalhada, uma teoria que explique como são formadas as invariantes mas, acredita-se que as invariantes são as responsáveis por conseguirmos lidar com uma variedade enorme de estímulos durante o dia, sem ficar a todo momento se perguntando “o que é aquilo?” ou “como isto funciona?”.
  • Armazenamento padrões em hierarquia: Como já foi dito anteriormente, as colunas corticais são organizadas hierarquicamente. Os padrões mais genéricos e invariantes ficam no alto desta hierarquia. Padrões mais específicos ficam mais abaixo nesta hierarquia. Quando o estímulo vem dos órgãos sensoriais, os padrões são ativados num fluxo de baixo para cima nesta hierarquia de colunas. Mas quando imaginamos alguma coisa ou tentamos nos lembrar de um fato, os padrões são ativados de cima para baixo, das invariantes para os padrões específicos. Esta organização permite o reaproveitamento de padrões por diversos fragmentos de memória, evitando a replicação desnecessária e formando uma malha que facilita a recuperação posterior de informações.
  • Recuperação da memória auto-associativa: Basicamente, a recuperação de memórias funciona assim. Temos diversos padrões sequenciais armazenados no córtex. Você então passa a ele uma seqüência de padrões que representa uma caneta. Então o cérebro te devolve uma seqüência de padrões que representa a caneta e por fim você entende que é uma caneta. Parece meio estúpido a princípio, mas o mecanismo de recuperação de informação no córtex é algo extremamente poderoso. Por exemplo, se você passa, ao invés dos padrões da caneta inteira, padrões que apenas representam a ponta da caneta, ou a caneta de cabeça p/ baixo, ou apenas metade da caneta ou uma caneta deformada pelo fogo de um isqueiro ou… A resposta será a sequência completa de padrões que representam a caneta e você entenderá que é uma caneta. O nosso cérebro completa as informações com diversos padrões, realiza buscas nas invariantes, faz conexões associativas com outras cadeias de padrões e te devolve a resposta de maneira completa, desde que ela já esteja previamente armazenada. Estar previamente armazenada exige que seu cérebro já tenha sido exposto àqueles padrões.
  • Antecipação dos fatos: O cérebro prevê o futuro o tempo todo, mas não é como a mãe Diná que ‘enxerga um futuro distante’. As conseqüências de todas as nossas ações a curto prazo são antecipadas pelo nosso cérebro. Quando chegamos em casa depois do trabalho e giramos a maçaneta da porta, o cérebro já antecipa o quanto de força será necessário aplicar sobre a maçaneta para girá-la e empurrar a porta. Se as forças aplicadas abrirem a porta como o de costume, a antecipação é confirmada e o cérebro continua seu papel de ‘vidente a curto prazo’. Caso alguém tenha mexido na porta e a força aplicada não seja o suficiente para abrí-la ou enquanto você a empurra para trás ela fizer um rangido que antes não fazia, haverá uma violação na previsão e o cérebro tentará buscar padrões que expliquem o porquê disso. Logo, você pode considerar todo e qualquer tipo de aprendizado como um treinamento que construirá padrões a serem utilizados para antecipar fatos.

Se você sempre imaginou o cérebro como um processador utilizado em computadores, você pode estar se perguntando: Mas é só isso? Nosso cérebro somente lida com memórias em formato de padrões? Ele apenas faz o armazenamento e a recuperação de padrões? Nada de cálculos e processamentos complexos assim como os processadores fazem? Nada disso. Quando esticamos os braços para segurar uma bola jogada para nós, nosso cérebro não calcula a trajetória da bola, muito menos integra as forças para realizar a cinemática inversa, ele simplesmente consulta a memória e traz a resposta. Isso mesmo. O cérebro sempre consulta as respostas dos problemas que queremos resolver. Por isso temos que aprender técnicas para lidar com problemas complexos. Usamos estas técnicas para organizar as variáveis do problema na memória, recuperar os padrões necessários para reconhecer estas variáveis através de associações e, por fim, alcançar a solução (que também será armazenada). Problemas desconhecidos são resolvidos através de analogias a problemas conhecidos já armazenados em nossa memória.

Bom, agora que você já conhece um pouco sobre as teorias que são utilizadas para explicar o funcionamento do nosso cérebro, podemos definir o que é inteligência de uma forma bem simples. Basicamente, inteligência é a capacidade de antecipar as coisas. Os testes de QI exploram justamente esta capacidade. Portanto, segundo esta teoria, é possível que o cérebro seja treinado para se tornar inteligente (inclusive para tirar notas altas em testes de QI). Quanto mais invariantes e padrões mais genéricos para a resolução de problemas diversos, mais eficiente o cérebro será na antecipação de situações desconhecidas ou consideradas complicadas para a maioria das pessoas. Esta é apenas uma definição sintética de inteligência, baseada nas teorias de Mountcastle e Hawkins. Se você se interessou pelo assunto, vale a pena ler os trabalhos destes dois pesquisadores. Lembrando que Hawkins é um cara da computação e seu trabalho é uma releitura, fortemente direcionada à sua área, das teorias de Mountcastle.

Curiosidade: Os transistores que compõem um processador são muito mais rápidos que os neurônios. Enquanto os neurônios trafegam informações na ordem de milisegundos, transistores gastam apenas nanosegundos. Mas por que os processadores ainda não superaram o cérebro humano na resolução de problemas comuns para o cérebro, como por exemplo o reconhecimento de imagens. Ainda tomando como base as teorias descritas neste artigo, o cérebro apenas consulta a resposta na memória, não realiza os cálculos complexos que são efetuados pelos softwares.”

Samir Araújo, Fonte:

http://blog.vettalabs.com/category/memoria/

Dia Mundial da Saúde from Henrique Artur Wint on Vimeo.

Agressivo mas pura verdade, eu dária um nome para um dos dois dinossauros,”OBESIDADE”.

Thiago Amorim

Médicos criticam orientação do Inca para câncer de próstata

FERNANDA BASSETTE

da Folha de S.Paulo

A decisão do Inca (Instituto Nacional de Câncer) de desaconselhar os exames de toque retal e de dosagem de PSA para homens que não tenham sintomas de câncer de próstata foi criticada por urologistas. Em nota, a SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) disse que “esperar a ocorrência de sintomas para procurar cuidados médicos pode fazer com que o câncer de próstata esteja em estágio avançado, com impossibilidade de cura”.

Segundo Ana Ramalho, gerente da Divisão de Gestão de Rede Oncológica do Inca, não há evidências científicas de que o rastreamento do câncer de próstata reduza a mortalidade causada pela doença, por isso o órgão está desaconselhando os homens a fazerem o exame.

No rastreamento, a população é convocada para fazer o exame e buscar detectar a doença em fase inicial. “Essa técnica é útil quando provamos que reduz a mortalidade. É útil no câncer de colo de útero, mas não se mostrou eficiente no câncer de próstata”, diz.

De acordo com Ramalho, pesquisas mostram que há um excesso de diagnóstico de câncer de próstata, o que aumenta a chance de identificar tumores de lenta progressão, que não afetariam a saúde do paciente. “Esses pacientes seriam expostos aos riscos do tratamento de maneira desnecessária. Eles podem ficar impotentes ou com incontinência urinária, sem saber se vão reduzir o risco de morte”, diz. “A idéia é desestimular mesmo.”

Para o urologista Miguel Srougi, professor da USP (Universidade de São Paulo), O Inca cometeu um “equívoco”. Ele diz que há dois grandes estudos avaliando o efeito do rastreamento, cujos resultados estão previstos para 2012.

“Se não se provou que os exames melhoram a sobrevida, tampouco se provou que têm um efeito ruim. O que há é um desconhecimento. Se provarem que o rastreamento aumenta a chance de cura, um sem-número de homens que não fizeram o exame terão um câncer sem saída.”

Segundo ele, embora muitos países não adotem uma campanha de rastreamento, nenhum contra-indica o exame.

Qualidade de vida

Inca e SBU divergem quanto ao impacto do tratamento na qualidade de vida. Para o Inca (que usou como fonte um estudo populacional norte-americano), dos homens que tiram a próstata, até 70% têm disfunção erétil e até 25%, incontinência. Para a SBU, o risco é de 50% e 2%, respectivamente.

Segundo Ubirajara Ferreira, presidente da SBU – seção São Paulo, o risco varia conforme a idade do paciente e a técnica usada. “Estudos mostram que o índice de disfunção erétil varia de 20% a 70% –50% é a média. O Inca pegou o pior cenário.”

Para o urologista Luciano Nesrallah, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o risco de incontinência grave é inferior a 5%. “Falar em 25% é um exagero. Não podemos negar ao homem o direito de querer se prevenir.” Para ele, cabe ao médico avaliar com o paciente os riscos e benefícios do tratamento.

“O tratamento produz impotência e incontinência. Mas o que o Inca tem a dizer sobre a qualidade de vida nos casos de câncer que deixarão de ser descobertos?”, questiona Srougi.

Um problema central da doença é que ainda não é possível distinguir com precisão os tumores de progressão lenta daqueles mais agressivos.

Alexandre Cripa, urologista do Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira, cita um estudo no qual pacientes com bons prognósticos não foram tratados. Após quatro anos, 75% deles precisaram tratar o câncer. “Nossa imprecisão não nos dá o direito de não seguir o tratamento”, diz.

Segundo o urologista Fernando Almeida, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), quanto mais jovem for o paciente, mais agressivo tende a ser o tumor. “Talvez seja preciso decidir em que idade os homens devem fazer o rastreamento, e não se eles devem ou não fazer. Os jovens provavelmente vão se beneficiar.”

Ramalho, do Inca, diz que o órgão não está proibindo nenhum homem de fazer os exames. “Quem estiver disposto pode fazer, mas é bom que esteja ciente dos riscos.”

Segundo ela, o Inca pretende rever a orientação caso os resultados dos estudos previstos para 2012 mostrem que o rastreamento é eficaz.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u8689.shtml